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Inflação: o que é e como afeta sua vida

O que é a inflação, quais suas causas e consequências, principais indicadores e como ela afeta sua vida e investimentos. Tudo em um só texto!

O que é a inflação?

A inflação de uma moeda é definida como uma alta generalizada no nível dos preços dos serviços e produtos em uma economia. Ou seja, de maneira simplificada, uma
inflação é uma alta nos preços em geral.
inflacao_preco

A seguir, vamos ver quais são as principais causas e consequências deste fenômeno e como o investidor deve ficar atento a ela.

Quais são as possíveis causas de uma inflação?

De modo geral, podemos definir três causas principais para um processo de inflação. São elas:

Inflação de demanda

Basicamente, é quando o país está com desemprego muito baixo e consumo alto: com o alto consumo, as empresas tendem a produzir mais, só que para isso precisam contratar mais funcionários. Como há pouca gente desempregada, contratar novos funcionários sai caro, refletindo no preço dos produtos e serviços.
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Como o governo pode evitar esse tipo de inflação?

  • Como medida de emergência, o governo pode aumentar a taxa de juros básica do país (SELIC), dificultando o crédito para os consumidores e melhorando a rentabilidade das aplicações em renda fixa - isso esfria a economia e reduz o consumo. Ele não deve, no entanto, aumentar os juros caso estes já estejam elevados.
  • Para uma solução de longo prazo, o caminho é investir na educação e na infraestrura do país: quanto maior o acesso das empresas a mão de obra qualificada e insumos, maior a capacidade de produzir sem afetar a inflação.

Inflação de custos

Ocorre quando algum produto ou serviço de grande importância na economia fica mais caro, mas não por conta de muita procura.

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É exatamente o que ocorreu durante a greve dos caminhoneiros: com a greve e a subida dos custos de transporte dos produtos, o pouco que chegava às prateleiras tinha um preço mais caro. Além disso, o custo de transporte também subiu. Por conta disso, o IPCA do mês de Junho foi 1,26%, valor mais alto nos últimos 23 anos.

Inflação por expectativa futura

A própria expectativa futura é causa para a inflação, por mais que os fatores "concretos" (como o nível de demanda e custo de produção) estejam controlados.

Suponha que por cinco anos a inflação esteve em 30% ao ano. O governo, então, anuncia que a inflação deve ficar em 5% neste ano devido a um aumento na taxa de juros. Se a população não acreditar na capacidade do governo, vai continuar esperando uma inflação elevada, e os preços continuarão a subir acima dos 5% esperados pelo governo.

Quais problemas uma inflação traz?

Uma inflação pode trazer diversos problemas para um país. Se por um lado ela pode indicar que o nível de atividade econômica de um país está elevado, por outro ela possui consequências desagradáveis para a população (se você tem mais de trinta anos, com certeza se lembra do desespero que ela causava no início dos anos 90).

Vamos dar uma olhada em algumas consequências:

Redução do poder de compra dos salários

Como os produtos se tornam mais caros, o salário passa a comprar menos conforme o tempo passa, caso não seja reajustado. Mesmo quando reajustado, essas "atualizações" costumam ser menores do que a inflação e são sempre em função do passado - isso faz com que ele perca poder de compra entre os reajustes, fique "defasado".
inflacao_dinheirosome Este fenômeno de reajuste passado x inflação presente é mais sensível quando a inflação é maior: nos anos 90, era comum ver pessoas correndo para o supermercado ao receber o salário, já que aquele dinheiro, no final do mês, não compraria a mesma quantidade de produtos.

Incertezas, riscos e redução dos investimentos

Sem saber qual será o Real Valor do dinheiro (perdoe-me pelo trocadilho), as empresas passam a ter desconfiança na economia. Isso faz com que projetos não saiam do papel por conta de insegurança, ou que um produto fique mais caro ainda, já que a empresa vai cobrar mais para compensar o risco que estará correndo.
inflacao_perdadeinvestimentosAlém disso, de modo geral, geralmente os juros acompanham a inflação. Por conta disso, durante inflação e juros altos, empreender com um financiamento se torna muito caro e arriscado. Essa dificuldade gera falta de empregos no mercado.

Quais são os principais índices?

Agora que você já sabe o que é a inflação e quais as principais causas e consequências, vamos dar uma olhada nos 8índices de inflação* mais importantes no Brasil - são eles que medem esse fenômeno.

Os índices são feitos com base em pesquisas de preços de diversos produtos ou serviços, e enquanto alguns são mais gerais, existem indicadores específicos de certas regiões ou segmentos de mercado (como por exemplo a construção civil).

IPCA

A sigla significa Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo. Este é o mais importante indicador da inflação brasileira, sendo feito pelo IBGE a cada mês desde 1994. Abaixo, você confere os pesos de cada categoria utilizados no mês de Julho:

Categoria Peso
Alimentação e Bebidas 24,63%
Transportes 18,47%
Habitação 15,75%
Saúde e Cuidados Pessoais 12,11%
Despesas Pessoais 10,80%
Vestuário 5,82%
Educação 4,95%
Artigos de Residência 3,91%
Comunicação 3,55%

O IPCA abrange preços em diversas regiões metropolitanas do Brasil, com foco nas famílias que possuem de um a quarenta salários mínimos. É possível, portanto, que o IPCA e a inflação real da sua cidade (aquela sentida no bolso) possam andar em ritmos diferentes.

As Olimpíadas no Rio, por exemplo, geraram uma inflação maior do que a do resto do país - os cariocas sentiram um aumento muito maior nos preços do que o IPCA indicou.

IGP-M

Índice Nacional de Preços do Mercado. Calculado pela FGV e também divulgado mensalmente, já foi utilizado para corrigir títulos públicos e atualmente é referência para aumentos de preços de energia elétrica e aluguéis. Sua composição leva em conta tanto preços no atacado quanto no varejo, além das variações de preços na construção civil.

INCC

Índice Nacional de Custos da Construção. Mede as variações nos preços de materiais e mão de obra da construção civil. Como este mercado costuma acompanhar a economia em geral, o INCC serve como parâmetro da economia brasileira.

E para o investidor?

Aqui entra a conversa sobre juros reais e juros nominais. Como a sua aplicação cresce em função do tempo mas ao longo do tempo o dinheiro perde poder de compra, é bom saber exatamente o quanto ele vale quando comparado ao passado:

Os juros nominais são aqueles que multiplicam o número na sua conta - uma aplicação em renda fixa de R$10.000 que paga 10% ao ano dá, ao final do ano, R$1.000.

Os juros reais são o quanto, de fato, o seu poder de compra aumentou. Ou seja, os juros nominais descontados da inflação, que corroeu o poder de compra do dinheiro.

Rentabilidade real e nominal

Imagine o exemplo anterior numa situação onde, após um ano, a inflação foi de 5%. A rentabilidade real do seu investimento foi a seguinte:

\[ (1+juros\ reais)=(1+juros\ nominais)/(1+inflacao) \]
Ou seja, (1+j.r.)=(1+0,10)/(1+0,05)=1,0476 -> Os juros reais no período foram de 4,76%, representando o quanto o poder de compra da sua aplicação cresceu durante este último ano.

inflacao_contas

Agora imagine que você retira os R$1.000 pagos de juros da sua aplicação para dar uma festa. É instintivo pensar que "você manteve seu patrimônio de R$10.000 intacto", mas este montante, hoje, vale menos - tem menos poder de compra - do que há um ano atrás.

Títulos pós, pré e indexados

Pensando no Tesouro Direto, vamos ver como a inflação impacta os três tipos de investimentos possíveis em Renda Fixa.

Em um título pré-fixado como as LTNs (Tesouro Prefixado), sabemos exatamente a rentabilidade no dia da aplicação. Ganhar, por exemplo, 12% ao ano é bom? Depende.

  • Se a inflação for de 4% ao ano, sua rentabilidade real é de aproximadamente 7,7%
  • Se a inflação for de 15% ao ano, sua rentabilidade real foi negativa: -2,6%

Exatamente: é possível ter rentabilidade real negativa quando a inflação é mais alta do que os juros nominais - você vai ver cada vez mais números na sua conta, mas eles compram cada vez menos. Fique atento, portanto, nas previsões e expectativas de inflação para os próximos anos.

Em um título pós-fixado na taxa Selic ou CDI como as LFTs (Tesouro Selic), só é possível saber a sua rentabilidade real após o período investido - no entanto, estes títulos tendem a ser mais seguros, já que as taxas de juros estão sempre acima da inflação, garantindo alguma rentabilidade real.

Em um título indexado à inflação como as NTN-Bs (Tesouro IPCA+), você já sabe exatamente o quanto vai ganhar de juros reais! Ou seja, ele vai render um percentual acima da inflação, protegendo seu patrimônio e garantindo um ganho real definido na hora da aplicação.

E aí, sobrou alguma dúvida sobre a inflação? Diz pra gente aí nos comentários!

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